quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Absolva-me


Não é minha culpa o amor que te dou;
Não é tua culpa aceitar o peso
de ser a poesia que alimenta-me a vida!
Absolva-me por vestir-me de amor
Não é minha culpa!
tampouco despir-me de amor...
Perdoa, mesmo que não haja
sequer contrição...
o meu vício pelo cheiro da tua boca:
Diferente!
Absolva-me quando, baixinho,
Eu disser i'm sorry...
Absorva-me pelos poros;
Porque quando não absolvida
quero esconder mais do que os olhos,
arrebatados por ti!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ela não chora os medos do instinto.
Mas ela treme os modos de louca;
E de tão louca já não sabe o que teme.
E quando se arranha;
Sente saudade da dor que desanda...
E sente uma outra dor;
vindoura de um longe raro
Uma dor que os mortais chamam paz.
Não deixa de ser dor.
Já que ela ainda treme;
porque não sabe o que teme.
E a pele não sangra;
No entanto ela, vampira,
Não quer mesmo o próprio sangue.
Nada além da própria dor.
E do gosto do sangue de alguém.
Pobre mortal!
Mas pobre vampira!
Que de tão mortal chega a não morrer.
Não se corta pelos medos que os outros alimentam.
Pobre menina frágil...
Não sabe o motivo da lágrima
e brinca de imortalidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

Poesia Passatempo

Queres asas, meu amor!
Dou-te asas.
E fico cá chorando.
Só não peça-me um sorriso:
ou distância ou sorriso.
E se tiveres asas;
Eu sei que voarás.
Pra longe, meu amor!
Longe do meu amor.
Só não sei ainda
porque choras ao receber as asas,
e porque choro ao dá-las, meu amor!
Eu não voo, eu só choro.
Cá estou.
Choro os sorrisos que renunciara.
Porque a uma pequena felicidade sem te esperar
Eu prefiro a profundidade desse sofrimento.
Do sofrimento de estar aqui.
Esperando as tuas asas cansarem.

domingo, 4 de outubro de 2009

Eu vou dizer aquelas coisas...


Mas na hora esqueço.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009


Não exija-me menos amor.

Exija-me o tempo, as lágrimas e o suor;

Exija-me o corpo, a dor e as verdades.

Mas não, não menos amor!

Isso seria renunciar a tudo de mim.

E ao que sou hoje.

E se acaso não sabes

da dor das despedidas;

São porque nas próximas tantas horas.

É o que haverá em mim.

Dor.

E não menos.

Isso também seria renúncia.

Menos fora tudo o que vivi

E pensei que seria pra sempre menos;

a menos que fosse amor.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pausa na poesia

Não quero aprender o caminho de volta. Me leva quilômetros e quilômetros pela vida. Por todo o sempre. Já que aprendi que falar em sempre não é muito tempo. É só mesmo o tempo da nossa história. E dos nossos quilômetros e quilômetros de amor...
Leva-me por um mundo de poucos passos. E não me ensina a viver sem ti, nem tenta. A felicidade da presença é maior que a dor da partida, e quando te demoras a partir, as dores se demoram a chegar.
Eu quero estar contigo nos tempos infinitos mais curtos. E nos mais longos também, menino sem juízo!

Eu gosto é dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, das idéias mais loucas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.Você pode até me empurrar de um penhasco...Que eu direi: E daí?! Eu adoro voar !!!


Clarice Lispector