sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A verdade

Olhando assim não dá pra ver,

Procurando em mim nem sempre encontro.

Mas a verdade é que há algo nas tuas palavras,

Nas tuas feições.

Há algo tão perturbador em ti!

Maior do que o teu não-querer,

E do que o meu não-querer

(bem menor do que o teu)

A verdade fica entre o estômago e o coração,

A verdade? Ela nem existe...

Nada disso existe.

O que há é um não-querer querer

Que eu mato todo dia antes de nascer.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Quer saber do que gosto em ti?


Gosto dos olhos (impossível não citá-los). E da tua boca da qual me custa despedir. Da tua liberdade, que às vezes me incomoda, mas pela qual me apaixono sempre. Do teu desejo de um novo mundo (como gosto!) e da tua ingenuidade linda... Da tua tolerância, da tua paciência...
Da tua segurança. E da insegurança também.
Gosto da ânsia que me causa a espera pelo fim das tuas frases, da pouco importância que dás às certezas. Gosto dessa incerteza toda.
Gosto do som do violão ao telefone, denunciando a tua introspecção. Eu adoro as tuas tentativas (frustradas) de explicar os sentimentos (pára de ser psicólogo conosco, menino-liberdade!).
E gosto de muitas outras coisas mais que ainda vou te contar na eternidade dos próximos instantes.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Loucura particular

Medo que amanheça, e já são 5 horas da madrugada. Não sei se hoje algum veneno me apagaria, porque qualquer coisa que se aproximasse de mim, simplesmente completaria o vazio. Meu vazio tão enorme quanto a minha pequenez.
E o novo dia o que trará? Mais dúvidas, certamente. E esse maniqueísmo de querer o certo (ou o errado nos últimos tempos) e o superego brigando aqui com a sede de vida. Vontade de ser "tudo ou nunca mais" ou de ser nada e hibernar como os ursos.
Essa solidão ainda acaba me matando, essa vontade de comer não sei o quê, de fazer não sei o quê. De sair correndo e chegar em um novo mundo, ou retornar ao tempo em que a dor superava a dor, o corpo punia a mente, "desligava" a tristeza. E será tristeza? Ou saudade? De mim? Do que não conheço?
Todos vocês, calem-se! Senhor superego, senhora paixão, senhor desejo, senhora melancolia, agora é hora de dormir. Que tal revezarem o turno? Não consigo mais comportar a todos...
Boa noite, eus!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

She, ella, ela




Voltei os olhos e revi por uns segundos
a beleza sem rosto.
De pouca dignidade,
cheguei a ver encantos de Moulin Rouge;
No corpo ainda os restos do último infeliz
e um provável sorriso
(no rosto que não vi)
omitindo o desgosto.
Passei vergonhosamente superior,
como todos os outros.
Mas a verdade é que ela se exibia
e nos fitava os olhos...
Imoral, repugnante, agressiva.
Mas eu lhe prepararia a trilha sonora e as luzes
só por aquela visão!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Olha a lua, amor.

A lua está linda, amor.
(Saudade de te chamar de amor)
Saudade do tempo em que levavas a solidão pra um lugar distante
muito antes de ela chegar até mim.
A lua está linda demais, amor.
Me olha com esse brilho solitário de poucas estrelas
Daqui da janela até parece dourada;
Saudade de vê-la da tua janela!
A lua te trouxe até aqui, amor.
Me disse que por mais fortes que sejam outros amores
(os teus, os meus)
nunca outro alguém vai pegar a solidão pela mão e levar pra longe.
Olha a lua, amor.
Está linda como o nosso tempo que passou.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sublimação


Despi a noite.
Arranquei-lhe as vestes;
Ignorei a beleza das estrelas.
Voei alto com os olhos fechados:
poderia esquecer da escuridão!
Envergonhada do sol,
amanhceu nua a lua em fuga de mim.

sábado, 20 de agosto de 2011

Palavra


Me traduz, palavra!
Diz o que eu não me digo por dentro.

Deixa das tuas metalinguagens,
das tuas sofisticações
e só me traduz.

Precisas provar, palavra,
pro meu coração ainda não-linguista
que és tradução universal.
Ou será que não faço parte do universo?
Ah, palavra...

Será que és só pretensão?
O mar me explicaria melhor,
não pela beleza,
mas pela devastação.
Desiste então, palavra,
desta tradução.
Porque de alma tens repertório curto.